terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Feliz natal: Fogaça manda fechar lojas do camelódromo

Há meses os trabalhadores alocados no Camelódromo enfrentam problemas com a Prefeitura do candidato José Fogaça. Trata-se de um prédio precário, mal planejado e mal localizado e caro - o aluguel é de R$ 80 por semana, mais R$ 65 de condomínio. Depois de meses de ameaças, a SMIC, comandada por Idenir Cecchim (PMDB), ordenou o despejo dos inadimplentes, em pleno período de compras de natal, no qual os camelôs poderiam tentar recuperar algum prejuízo acumulado. 

Idenir deixa claro que a política da prefeitura para o camelódromo na verdade foi uma política da prefeitura para os lojistas, que pressionavam pela higienização do centro de Porto Alegre. Aliás, o próprio site do secretário noticia hoje, com euforia indisfarçável, que "este final de ano será um marco para a população que circula pelo Centro Histórico de Porto Alegre. Será o primeiro natal sem os camelôs na Praça XV e arredores".

À Agência Chasque, o secretário sugeriu que os camelôs procurem outro trabalho: "se com quase 9, 10 meses de Camelódromo não conseguiram ganhar dinheiro para pagar seu aluguel, eles têm direito a outra atividade. Nós, por exemplo, oferecemos esses cursos de qualificação através do FAT e o próprio Sine municipal, que tem muitas vagas para aqueles que queiram ter carteira assinada, ser formalizado em outro setor”.

A ação da Smic provocou protestos de camelôs. Cerca de 300 bancas do Setor B fecharam as lojas por uma hora, nesta segunda-feira (07), contra a interdição. Vicente Carlos, um dos comerciantes, reclama que a Smic não está cumprindo com o que foi acordado. As lojas teriam até o dia 15 de Dezembro para regular a situação. No entanto, a secretaria diz que o prazo foi dado somente aos camelôs do Setor B e não do Setor A, onde estavam as lojas que foram interditadas.

Carlos rebate ainda o secretário Cecchim e diz que o problema dos camelôs, principalmente do Setor B, está na falta de escada e de acesso direto ao prédio. Ele também lamenta que o estacionamento não foi inaugurado, o que poderia melhorar as vendas.

"E aqui no B não tem acesso, não adianta. Não passa ninguém. Isso aqui nasceu morto e vai morrer morto. E dizem que tem movimento, não movimento nada. A gente abriu aqui só pra gastar mesmo, porque não foi vendido nada", contesta.

Mais ações da Smic podem acontecer nos próximos dias.


Com informações da Agência Chasque 

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